The fun theory

Novembro 3, 2009 por claricegreco

Quem acredita que no mundo de hoje a diversão ainda nos condiciona? Falamos sempre na era do estresse, do trabalho sem férias, das preocupações infinitas e correria. Mas talvez ainda sejamos os meros seres humanos de sempre, que não resistem a uma tentação divertida para mudar os hábitos.

Os vídeos abaixo mostram uma iniciativa da Volkswagen e da DDB. O primeiro é um incentivo para que as pessoas joguem lixo no lixo, já que só a boa educação não é suficiente. E funcionou.

O segundo se passa em Estocolmo, onde transformaram uma escada do metrô em piano. A iniciativa pretendia reduzir os hábitos sedentários da população. Veja o que aconteceu com as filas para as escadas rolantes.

Quer ver mais? thefuntheory.com

Reflexão sobre o irreversível

Novembro 2, 2009 por claricegreco

Acrescentei hoje, sem a permissão da blogueira, um link de referência: meucadernodonepal. Um dos posts que nele se encontram me trouxe muitas reflexões. “O irreversível”. Eu nunca havia pensado como sempre que alguém que nos foi próximo morre, morremos também.

“Nós morremos, pois nunca mais seremos nós com aquela pessoa. A pessoa que eu era quando me relacionava com aquele que morreu, também se foi. O que era único entre nós, tudo que emergia quando estávamos juntos, tudo que eu era quando estava com aquela pessoa, agora é só lembrança. Eu, aquela face de mim, agora é só lembrança.”

Eu já sofri por isso, mas ler o sentimento verbalizado me esclareceu muitas sensações confusas. Morre parte de nós, morre um de nossos “eus”, morre uma de nossas faces.

Mas não só na morte. Já senti isso com exclusões, quando, por motivos quaisquer, retiramos alguém de nossas vidas. Um amigo que ficou distante, ex-amores com os quais perdemos contato, ou mesmo atuais amores que decidimos, forçadamente, afastar dos pensamentos. Quem eu fui com essas pessoas também se vai, se perde, se esfria. Morre a pessoa e morro eu. O doloroso, porém, é que ambas estão vivas.

(O blog em questão é escrito por Heloisa Greco, minha irmã.)

Ig Nobel 2009

Outubro 26, 2009 por claricegreco

A cerimônia de entrega do Prêmio Ig Nobel 2009 foi realizada no dia 01 de outubro de 2009, em Harvard. Alguns vencedores:

Medicina Veterinária: Catherine Douglas and Peter Rowlinson, da Universidade de Newcastle, UK, por mostrar que as vacas com nome dão mais leite do que as sem nome.

Ig Nobel da Paz: Stephan Bolliger, Steffen Ross, Lars Oesterhelweg, Michael Thali and Beat Kneubuehl, da Universidade de Bern, Suiça, por determinar, por meio de experimentação, se é melhor ser atingido na cabeça com uma garrafa de cerveja cheia ou vazia.  

Economia: A diretoria de quatro Icelandic banks, por demonstrar que pequenos bancos podem se transformar rapidamente em grandes bancos, e vice versa.  

Química: Javier Morales, Miguel Apátiga, and Victor M. Castaño da Universidade Nacional Autónoma de México, por criar diamantes de tequila.

Medicina: Donald L. Unger, de Thousand Oaks, California, USA, por investigar a possível causa de artrites nos dedos da mão, quebrando as juntas de sua mão esquerda, (mas nunca as da direita) todos os dias por mais de 60 anos.

Física: Katherine K. Whitcome of the University of Cincinnati, USA, Daniel E. Lieberman de Harvard, USA, e Liza J. Shapiro da Universidade do Texas, USA, por determinar analiticamente porque mulheres grávidas não tombam.

Literatura: A polícia da Irlanda, por redigir e apresentar mais de 50 multas de trânsito para o maior infrator do país: o polonês Prawo Jazdy, cujo nome em polonês significa “carta de motorista”.  

Saúde Pública: Elena N. Bodnar, Raphael C. Lee, e Sandra Marijan de Chicago, Illinois, USA,  por inventarem um sutiã que, em casos de emergência, pode ser transformado em máscaras protetoras – uma pro usuário e outra pra quem estiver por perto.

Matemática: Gideon Gono, diretor do banco Central do Zimbabwe, por imprimir nas notas valores de um centavo ($.01) a um trilhão de dólares ($100,000,000,000,000).

Fé em Deus e pé na estrada

Setembro 21, 2009 por claricegreco

onibus3

Taí uma coisa que gera uma sequência infinita de casos lamentáveis: viajar de ônibus.

O primeiro medo é qual será o carro? Já comprei muito convencional latão que vem com o cinto de segurança quebrado e o banco não deita. Uma vez cheguei até a viajar em um banco que, ao contrário, não subia. Detesto deitar o banco todo.

Passado o primeiro susto, olho pras pessoas a colocar suas bagagens no ônibus. Já consigo saber qual delas se sentará do meu lado. Os mais clássicos são obesos e mulheres com criança no colo. Talvez crianças de até 4 anos, quase adolescentes. Vez ou outra um malcheiroso. E todos roncam. Pessoas que roncam deveriam viajar de dia ou ser proibidas de dormir.

Sempre me sento na janela já que, invariavelmente, não desço nas paradas. Quando me sento no corredor tenho que sair cada vez que o colega ao lado quer passar, porque não consegue pular por cima. Isso quando a mãe não pede pra que eu segure a criança enquanto ela desce. Nessa hora, eu ronco.

Isso é fato. Mal entro e já durmo, ou pelo menos finjo. Odeeeeeeeio que puxem conversa. To quieta sentadinha e lá vem a pessoa “Tá indo a passeio?” Balbucio qualquer som, viro pro lado e fecho os olhos. Até se a criança no colo da mulher for fofinha e olhar pra mim sorrindo querendo brincar, viro a cara sem dó. Ao subir as escadinhas me transformo na pessoa mais antisocial do globo. Quando muito, explico que tomei um dramin. Aí o cara da frente deita o banco até meu pescoço, alguém coloca o Ipod no volume máximo, vem a perna da criança chutar minha barriga, o malcheiroso que deita no meu ombro, ou o coitado do gordo, que não tem banco próprio pra ele, levanta o apoio do braço e invade meu espaço.

Esses são os itens fixos. Ônibus quebrado é outro clássico, mas acontece em média a cada 6  ou 7 viagens. Da última vez quebrou duas vezes e meu pai foi me buscar na estrada. (detalhe que nessa mesma viagem a criança e a mãe vomitaram). E quando conto esses casos, as pessoas me dizem: “Mas avião hoje em dia tem preço de ônibus!”. Ao que prontamente respondo: “E cadê a diversão?”. Viajar de ônibus carrega o maior valor que um momento da vida pode nos trazer. De que vale a saga se não tivermos histórias?

A insuportável incoerência do ser

Setembro 11, 2009 por claricegreco

A cada dia me surpreendo mais com a incoerência das pessoas. Já me desgastei muito tentando compreender a capacidade alheia de não combinar o discurso com as atitudes. Também nunca entendi a naturalidade com que conseguem o que é, pra mim, o pior dos feitos: ignorar.

É como se cada um de nós tivesse um círculo de importâncias, no qual entram as pessoas que consideramos relevantes pra nossa vida. (o que pode ser alterado com passar do tempo). Ignorar alguém, um recado, uma mensagem, um telefonema, o que quer que seja, eu entendo como a expressão clara de que o alguém foi excluído desse círculo. Mas isso é feito da maneira menos nobre possível já que, se tentaram te contactar, talvez você ainda seja uma das pessoas consideradas importantes.

Tempos depois, quem ignorou ressurge com sorrisos e palavras que não condizem com as atitudes de desdém anteriores. Como entender?? Seria tão mais simples se tudo o que as pessoas falassem fosse, de fato, o que elas sentem! E se sentem, que demonstrem em tempo integral. Cansei de tentar conectar possíveis razões para atitudes paradoxais. Agora, já não espero mais nada, mas lamento. Eu queria me relacionar com as pessoas dominada por um sentimento de confiança, e não pelo medo de uma decepção.

Na companhia da solidão

Agosto 31, 2009 por claricegreco

solidao

“Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem, ou é Deus”, disse Aristóteles. Vinicius também disse que até o amor que não compensa é melhor que a solidão. E Tom Jobim concorda – “É impossível ser feliz sozinho”.

Com o passar do tempo, mais me convenço que isso é verdade. Não falo sobre o que chamam de solidão agradável, de ficar só em casa quando os pais viajam, mas sim da solidão de Josh Billings: “um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada”. Essa solidão não nos vem como escolha, é um presente que não se pode recusar.

E é na solidão que surge o desleixo. Que passa a maior parte do tempo sozinho come mal, se exercita menos e até toma menos banho. A solidão provoca menos risadas, diminui os passeios e traz tenebrosos pensamentos. Sozinhos, dormimos mais e perdemos o apego às coisas. Até quem tira a própria vida, estava sozinho.

Essa redução de companhia é, muitas vezes, puramente cronológica. As crianças tem festas de aniversários com gente que mal conhecem, basta ser criança também. Os adolescentes tem um milhão de colegas, conversam um dia com a pessoa e já ganharam um “grande amigo”. Quem trabalha perde contato, mas cria família. Filhos saem de casa, e a velhice chega só.

Não é preciso ter lido todas as frases de pensadores sobre esse tema, para termos medo. Nem é necessário ter se sentido sozinho para desejar ser sempre rodeados de amigos, família e amores. Mas é preciso muita coragem para que apenas a memória seja uma companhia. E para que a companhia seja agradável, uma saída pode ser acumular muitas boas lembranças.

Apenas um detalhe

Agosto 25, 2009 por claricegreco

Olha que legal!!  A agência alemã Serviceplan criou uma campanha super criativa para a loja de chapéus Hut-Weber. Ela usou símbolos que remetem a dois grandes gênios da história (para o mal ou para o bem, há genialidades) e, acrescentando apenas a imagem de um chapéu, transformou Hitler em Charles Chaplin! A campanha se chama “It’s the hat”.

Adoro coisas simples e adoro detalhes.  Adoro sutilezas que fazem a diferença. E, às vezes, ainda gosto de publicidade.

De_hitler_a_chaplin

Fanáticos por futebol

Agosto 24, 2009 por claricegreco

Se não servir pra isso, pra que mais seria últil um blog quase familiar, que não possui fins comerciais, cuja visitação aumenta estranhamente a cada dia?

Divulgação é a palavra. O vídeo abaixo foi criado pelos professores do Projeto Arte Educação Digital (PAED) de Viçosa – MG. (Viva Viçosa!). Apesar da conterraneidade, sou levada a eles por uma mera redução da teoria dos 6 graus de separação. 

É um tributo aos amantes do futebol, sobretudo do Flamengo. (não sou nem um, nem outro). As vozes arrancam risadas, e roteiro me fez lembrar a história do Marcelo (da mesma teoria) que ganhou um capacete do esporte espetacular por ser amante de futebol. Ah, o melhoooor foi o quadro da santa ceia em cima do rádio!!! Degustem (ou prestigiem):

 

A rainha das virtudes

Agosto 7, 2009 por claricegreco

Acho que me defini. A maior de todas as virtudes é a paciência.

Eu já tinha pensado muito nisso e chegado a essa conclusão há anos atrás, desde o livro “O pequeno tratado das grandes virtudes” (André Comte-Sponville). Depois passei a pensar na humildade. Durante muito tempo foi ela que esteve no podium. Mas um humilde, ao perder a paciência, perde igual e momentaneamente a noção do aceitar o outro, perdendo, assim, também a humildade. Ao contrário, uma pessoa paciente pode vir a construir um caráter humilde.  

Temo pela distância que me encontro de alcançar esta grande virtude. Mas meu primeiro teste é este: pra conquistá-la, terei paciência!

Julho 30, 2009 por claricegreco

Coleguinhas, pelamordedeus. A nossa língua portuguesa é lentamente assassinada a cada dia. A educação no nosso país é fraca, ok, sabido. Mas pra quem está na faculdade não há perdão. Algumas correções aos erros mais comuns:

  • MAS é partícula adversativa. MAIS é advérbio de intensidade

“Eu gosto dela, mas ela não gosta de mim”, significa que o sujeito é mal amado. 

“Eu gosto dela, mais ela não gosta de mim”, é erro gramatical.

  • MENOS é o oposto de MAIS. MENAS não existe.
  • MEIA é um substantivo, o que se coloca nos pés. “Estou meia cansada” não existe.
  • ANSIOSO é um adjetivo, um estado de espírito. ANCIOSO  é uma palavra ainda não registrada.

Destaquei alguns dos mais dolorosos, na esperança de salvar um pouco o pobre português. Caso novas pérolas da coloquialidade me chamem a atenção, volto as breves lições. O melhor de tentar explicar é também aprender com isso.