Descobri uma nova tática para andar de ônibus. Normalmente, eu olhava pra baixo, ia vendo as pessoas e pensando. Eu via as pessoas dentro dos carros e queria ter um carro; via uma menina bonita e desejava ser bonita como ela; via alguém que eu não achasse bonita e pensava que a pessoa era feia. Pensamentos tão pequenos!
Quando me dei conta disso, olhei pra cima. Olhei o topo dos prédios, que no centro de BH se consegue enxergar. Em São Paulo eu não conseguiria. Olhei as janelinhas acesas e o céu sem estrelas. Senti uma liberdade boa. Senti que, por não estar pensando em nada, eu não estava mais fadada à futilidade. Pensar em nada fez eu me sentir inteligente.
Só tem um problema nessa tática de olhar pra cima: o pescoço dói. E foi assim. Mas quando meu pescoço começou a doer, eu olhei mais pra cima ainda. Respirei fundo e, antes de voltar à posição normal, segurei todos os meus pensamentos, e fechei os olhos.
Setembro 25, 2008 às 5:51 pm |
Às vezes (sempre) um mp3 player ajuda na árdua tarefa de não reparar no mundo e suas inpumeras distrações superficiais.
Pelomenos pra mim, música é uma maneira boa de fugir da realidade.