Pelos cantos da sala, canto. Pelos becos molhados, desencanto. A janela fina com os pingos se torna sonora. Batidas ritmadas ecoam, distraem, encantam, destroem. Se lá faz frio, aqui derreto. Recolho palavras amuadas em caixas, retomo o sentido perdido no devaneio. Aqui a chuva é música; lá é desespero.
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O homem retoma correndo o caminho tortuoso, desconstruído pela enxurrada. Avista os destroços e o início do alvoroço. Não sente frio, não percebe os pingos, não ouve a música e não sente o cheiro gostoso da água no asfalto. Sem reação, ele resta a olhar, apático.
Enquanto isso a menina em seu confortável apartamento sorri, descansa, come brigadeiro e reclama da vida.
