Detesto discutir com pessoas conhecidas. Com semi-conhecidos, então, esquece – simplesmente não consigo. Mas há algumas semanas aconteceu algo que afetou meus nervos.
Levei um CD pra dar música na aula e – típico – esqueci no aparelho de som da escola. Porém, até onde eu sei, esquecer não é crime – furto sim. No outro dia perguntei aos professores se alguém o tinha visto e eis que um deles me responde que encontrou o CD e levou pra casa. Achei estranho, já que o certo seria procurar o dono ou deixar na secretaria, mas apenas pedi que me trouxesse no dia seguinte. Só que, pra azar de todos, nesse dia ele foi demitido.
No início até fiquei triste, pois achava o cara gente boa. Depois foi que pensei: fudeu – fiquei sem meu CD. Mandei mensagem pedindo pra que levasse na escola. Nada. Mandei outra pedindo então que deixasse aqui na minha portaria. Nada. Incentivada pela revolta de outros que sabiam da história e me diziam para cobrá-lo, telefonei pro dito cujo. Eis que ele já atende com voz firme e um pouco grosseira dizendo que o CD não está com ele. Oi? Primeiro pega sem autorização e depois perde? Senti que não devia baixar a guarda e respondi que queria um novo CD. Depois de vários minutos de forte discussão, ele aceitou, a contragosto, comprar outro.
Apesar de achar (de verdade) que o acordo foi justo, eu tremia e me senti super mal. Acho que não discutia assim com ninguém há anos. Ainda mais por causa de algo pequeno como um CD. De qualquer forma, continuaram me dizendo que eu estava certa, então mantive a posição. Por fim, não aguentando a pressão interior pesquisei na internet e enviei a mensagem: “Está mais barato na Saraiva”.