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Archive for setembro \25\UTC 2008

Logo acima existe o céu.

Descobri uma nova tática para andar de ônibus. Normalmente, eu olhava pra baixo, ia vendo as pessoas e pensando. Eu via as pessoas dentro dos carros e queria ter um carro; via uma menina bonita e desejava ser bonita como ela; via alguém que eu não achasse bonita e pensava que a pessoa era feia. Pensamentos tão pequenos!

Quando me dei conta disso, olhei pra cima. Olhei o topo dos prédios, que no centro de BH se consegue enxergar. Em São Paulo eu não conseguiria. Olhei as janelinhas acesas e o céu sem estrelas. Senti uma liberdade boa. Senti que, por não estar pensando em nada, eu não estava mais fadada à futilidade. Pensar em nada fez eu me sentir inteligente.

Só tem um problema nessa tática de olhar pra cima: o pescoço dói. E foi assim. Mas quando meu pescoço começou a doer, eu olhei mais pra cima ainda. Respirei fundo e, antes de voltar à posição normal, segurei todos os meus pensamentos, e fechei os olhos.

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11 de setembro

Ontem assisti àquele filme sobre o 11 de setembro. Nem sei o nome, cheguei em casa e ele estava passando na Globo. É um que se passa dentro do “quinto” avião, que errou um de seus prováveis alvos – a Casa Branca ou o Congresso americano. Isso ocorreu devido à “bravura” dos passageiros, que receberam a homenagem do filme.

Ô gente, o filme é chato demais! Fiquei assistindo até o final porque queria ver como seria o drama do avião caindo, de curiosa. Mas desde o início do filme eu não parei de falar como ele era chato. Eu assistia e repetia: “que filme chato!”. Usei essa palavra três vezes agora em um parágrafo, mas apenas para efeito de transmitir o sentimento de ontem, quando a usei cerca de 18 vezes.

Muito estranho o paradoxo de sentimentos. Eu não consegui parar de ver o filme, mas fiquei muito aliviada quando ele acabou.

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Two Way Monologue

Descobri a música “Two Way Monologue”, de Sondre Lerche. Ele é norueguês.  A música é mesmo boa, o ritmo é bom, a voz dele é boa. Mas, como sou uma pessoa de sílabas, gostei mesmo foi do título. Lamento, mas não consegui pensar em uma expressão no português que fique tão bem explicada. Um “monólogo de mão-dupla” fica horrível. Mas a idéia é bem intrigante.

Acontece muito isso nas relações. Eu falo o que penso de um lado e você fala o que você pensa, mas não estamos interessados em ouvir o que o outro tem a dizer. É aquela discussão em que a gente quer expor, e não receber. Conversas que não gerarão consenso, como discutir futebol ou religião. Se não existe reciprocidade ou pré-disposição para que alguém ceda no discurso, não haverá um diálogo. Haverá um “two way monologue”.

Quando pensei nisso tudo fez sentido.

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Sono nosso de cada dia

Todos os dias vejo-me forçada a superar um terrível obstáculo: acordar.

É uma luta comigo mesma, na qual junto todas as minhas forças em prol do combate contra Morfeu. E coloco em minha mente nada além do longínquo objetivo de abrir os olhos e sair da cama.

Após este esforço hercúleo, realizo os afazeres matinais básicos e saio de casa. Se sobrevivo a isso, nada mais há de me derrubar.

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