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Archive for setembro \21\UTC 2009

onibus3

Taí uma coisa que gera uma sequência infinita de casos lamentáveis: viajar de ônibus.

O primeiro medo é qual será o carro? Já comprei muito convencional latão que vem com o cinto de segurança quebrado e o banco não deita. Uma vez cheguei até a viajar em um banco que, ao contrário, não subia. Detesto deitar o banco todo.

Passado o primeiro susto, olho pras pessoas a colocar suas bagagens no ônibus. Já consigo saber qual delas se sentará do meu lado. Os mais clássicos são obesos e mulheres com criança no colo. Talvez crianças de até 4 anos, quase adolescentes. Vez ou outra um malcheiroso. E todos roncam. Pessoas que roncam deveriam viajar de dia ou ser proibidas de dormir.

Sempre me sento na janela já que, invariavelmente, não desço nas paradas. Quando me sento no corredor tenho que sair cada vez que o colega ao lado quer passar, porque não consegue pular por cima. Isso quando a mãe não pede pra que eu segure a criança enquanto ela desce. Nessa hora, eu ronco.

Isso é fato. Mal entro e já durmo, ou pelo menos finjo. Odeeeeeeeio que puxem conversa. To quieta sentadinha e lá vem a pessoa “Tá indo a passeio?” Balbucio qualquer som, viro pro lado e fecho os olhos. Até se a criança no colo da mulher for fofinha e olhar pra mim sorrindo querendo brincar, viro a cara sem dó. Ao subir as escadinhas me transformo na pessoa mais antisocial do globo. Quando muito, explico que tomei um dramin. Aí o cara da frente deita o banco até meu pescoço, alguém coloca o Ipod no volume máximo, vem a perna da criança chutar minha barriga, o malcheiroso que deita no meu ombro, ou o coitado do gordo, que não tem banco próprio pra ele, levanta o apoio do braço e invade meu espaço.

Esses são os itens fixos. Ônibus quebrado é outro clássico, mas acontece em média a cada 6  ou 7 viagens. Da última vez quebrou duas vezes e meu pai foi me buscar na estrada. (detalhe que nessa mesma viagem a criança e a mãe vomitaram). E quando conto esses casos, as pessoas me dizem: “Mas avião hoje em dia tem preço de ônibus!”. Ao que prontamente respondo: “E cadê a diversão?”. Viajar de ônibus carrega o maior valor que um momento da vida pode nos trazer. De que vale a saga se não tivermos histórias?

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A cada dia me surpreendo mais com a incoerência das pessoas. Já me desgastei muito tentando compreender a capacidade alheia de não combinar o discurso com as atitudes. Também nunca entendi a naturalidade com que conseguem o que é, pra mim, o pior dos feitos: ignorar.

É como se cada um de nós tivesse um círculo de importâncias, no qual entram as pessoas que consideramos relevantes pra nossa vida. (o que pode ser alterado com passar do tempo). Ignorar alguém, um recado, uma mensagem, um telefonema, o que quer que seja, eu entendo como a expressão clara de que o alguém foi excluído desse círculo. Mas isso é feito da maneira menos nobre possível já que, se tentaram te contactar, talvez você ainda seja uma das pessoas consideradas importantes.

Tempos depois, quem ignorou ressurge com sorrisos e palavras que não condizem com as atitudes de desdém anteriores. Como entender?? Seria tão mais simples se tudo o que as pessoas falassem fosse, de fato, o que elas sentem! E se sentem, que demonstrem em tempo integral. Cansei de tentar conectar possíveis razões para atitudes paradoxais. Agora, já não espero mais nada, mas lamento. Eu queria me relacionar com as pessoas dominada por um sentimento de confiança, e não pelo medo de uma decepção.

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