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Archive for outubro \22\UTC 2010

Arte para todos

Era uma terça-feira. Na saída da USP fui ver a exposição de Storyboards do Kurosawa, no Instituto Tomie Ohtake. Já que estou dando monitoria pra uma aula de roteiros, e tal, não me senti tão vagal em plena semana útil. Só que chegando lá a exposição não tinha começado (no twitter, eu diria #fail). Mas como o tempo já estava perdido, entrei mesmo assim pra ver um apêndice da Bienal que se chama “Ponto de Equilíbrio”.

A exposição está legal, bem interessante, várias obras boas de muitos artistas, outras nem tanto, como era de se esperar. Mas antes disso, enquanto olhava a primeira sala, me deparei com uma cena que me congelou. Duas pessoas estavam paradas em frente a um quadro, uma dando explicações pra outra. Pensei: “vou filar a explicação do guia”. Chegando perto, fiquei ouvindo atentamente. O homem, de terno, explicava a uma senhora que aquele quadro guardava diversas formas. Os pontos pareciam formar um desenho, mas a cada vez que ele olhava, via um desenho novo. A mulher então colocou as mãos sobre o quadro formando uma circunferência que apontava uma visão maior sobre uma das formas, identificando um outro modo de olhar. E o homem dizia “isso mesmo, cada vez que eu olho pra esse quadro vejo uma coisa nova”. Só depois me dei conta de que o homem que falava era o segurança da sala que nos cumprimentou quando entramos, e a mulher vestia o uniforme dos funcionários da limpeza.

Pela primeira vez na vida senti a ausência da hipocrisia da arte como “marcadora privilegiada de classes”, como diz Bourdieu. Meu enorme respeito aos autores das obras que lá se encontram, mas essa foi a melhor parte da exposição.

obs: Queria colocar uma foto do quadro, mas não encontrei.
obs2: A exposição do Kurosawa começa neste sábado, dia 23/10 e fica até 28/11/2010.

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Dois pesos…uma brusca medida.

Apenas uma nota a respeito do debate da semana: a tal demissão de Maria Rita Kehl do jornal O Estado de S. Paulo.

Para quem se interessar pelo caso, uma das maiores intelectuais do país escreveu, no dia 06 de outubro,  um excelente texto intitulado “Dois Pesos…” no qual ela discute o valor dos votos da classe média em relação ao voto do “povão”, defende o bolsa família e vai contra os argumentos de quem diz que os pobres, com os auxílios, ficaram preguiçosos.  Isso tudo após elogiar a postura do jornal em admitir apoio ao candidato Serra.

Hoje, dia 07, Maria Rita Kehl concedeu uma entrevista ao Terra contando que foi “demitida por um delito de opinião”. A situação, se confirmada, é ridiculamente absurda, ainda mais vinda do Estado de S. Paulo, que, como lembra a própria Kehl, está há meses reclamando de estar sob censura. O jornal também se pronunciou, dizendo que ela não foi demitida, apenas cumpriu seu ciclo como colunista (hãn?).

Walter Hupsel também se manifestou com o texto “Um charuto“, que nos dá muito o que pensar.

Bem, este é um resumo da tão comentada demissão, com os links para quem quiser ter acesso aos artigos. Não vou me alongar porque não gosto de posts gigantes, mas esta é uma discussão que vale a pena. De que será feita nossa mídia se um jornal respeitado, que deveria ser formador de opinião, não pode expressar dois pontos de  vista diferentes? Qual o sentido da mídia, se não pode estimular o debate público? Ainda bem que existe a internet, onde a gente ainda pode falar alguma coisa.

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